Como lidar com a autocrítica ao criar conteúdo para as redes

Como lidar com a autocrítica ao criar conteúdo

Tem dia que a gente acorda com uma ideia brilhando na cabeça, quase como aquele raio de sol teimoso que atravessa a fresta da cortina. Mas basta pensar em postar, e pronto. Vem a voz miúda e insistente da dúvida. “Será que tá bom o suficiente?” “E se rirem?” “Já tem gente que faz isso melhor que eu…”

É a autocrítica. Essa velha conhecida que senta ao nosso lado, cruza as pernas e começa a destilar veneno justo na hora em que queremos criar. Ela não grita, não. Ela sussurra, sorrateira, mas é capaz de nos calar. E se você, como tantas mulheres que tentam equilibrar trabalho, filhos e a vontade de fazer bonito nas redes, já sentiu isso, saiba. Não está só.

Neste artigo, a gente vai conversar sobre esse sentimento que tenta nos podar, mas que também pode ser compreendido e até acolhido. Porque criar conteúdo não precisa ser uma batalha. Pode ser conversa boa no fim da tarde, com tropeço, riso e afeto.

Por que a autocrítica aparece quando criamos conteúdo

Criar conteúdo é, no fundo, um ato de coragem. É colocar um pedaço da gente no mundo, feito pão quente recém-saído do forno. E isso assusta. Não porque falta talento, mas porque existe algo muito comum e silencioso rondando nossos pensamentos: a autocrítica.

Ela começa cedo, às vezes ainda na fase da ideia. Você pensa em mostrar o que sabe, dividir uma experiência, ajudar alguém com uma dica simples. Mas logo vem aquela voz dizendo que já tem gente demais falando disso, que o seu jeito talvez não seja suficiente. E ali, sem perceber, você já começou a se calar.

A autocrítica aparece, principalmente, porque criar é se expor. E se expor traz junto o risco do olhar do outro. Numa rede social, onde todo mundo parece saber o que faz, parecer perdida é quase um pecado. Mas essa comparação é traiçoeira. A gente esquece que o que vemos é sempre o palco iluminado dos outros, enquanto olhamos para os bastidores bagunçados da nossa própria criação.

Pra quem é mãe e empreendedora, esse peso se multiplica. O tempo é curto, a energia é dividida entre mil tarefas e, mesmo assim, existe uma pressão para que tudo o que se posta seja criativo, inteligente e que traga resultado. É um desafio diário: você quer ser relevante, mas não quer se mostrar cansada; quer ser estratégica, mas também espontânea; quer ser profissional, mas não quer perder a ternura que existe na sua forma de se comunicar.

O problema é que essa busca por acertar o tempo todo faz com que a autocrítica vire um hábito. E um hábito disfarçado de cuidado, como se duvidar de si fosse um sinal de responsabilidade. Mas não é. Duvidar de si o tempo todo paralisa. Faz com que a gente revise um texto dez vezes antes de postar, grave um vídeo e apague em seguida, guarde ideias incríveis só porque achou que “não estavam boas o suficiente”.

E se tudo isso soa familiar, saiba que você não está sozinha. A maioria das pessoas que cria conteúdo, especialmente aquelas que se lançam nesse universo digital com o coração na mão e um celular na outra, sente essa mesma cobrança. Inclusive, muitas das que hoje você admira nas redes já passaram (e ainda passam) por isso. Elas apenas decidiram continuar, mesmo ouvindo a autocrítica. E com o tempo, ela foi ficando mais baixa, mais tímida. Até que perdeu força.

Outro fator importante é o ambiente. O algoritmo das redes sociais, com suas exigências por curtidas, comentários e salvamentos, reforça essa sensação de que sempre precisamos entregar algo grandioso. Mas a verdade é que o que conecta de verdade com as pessoas não é a perfeição. É a presença. É quando você aparece com verdade, mesmo que com um pouco de receio.

Criar não é sobre não ter medo. É sobre fazer, mesmo com ele. E entender que aquela voz crítica não precisa ser calada à força, mas compreendida. Ela quer proteger. Só não sabe ainda que agora você pode cuidar de si mesma sem deixar de se mostrar.

Estratégias práticas para lidar com a autocrítica

A autocrítica não desaparece com uma frase de efeito. Ela precisa ser entendida e, pouco a pouco, reposicionada no nosso processo criativo. Aqui estão formas reais e possíveis de lidar com ela, mesmo quando a rotina aperta e a mente duvida.

Preparar o terreno antes de publicar

Antes de criar qualquer conteúdo, experimente um pequeno ritual. Nada de complicado — uma respiração mais profunda, um café quente, cinco minutos longe das notificações. Nesse momento, repita mentalmente: “meu conteúdo é útil, mesmo que simples”. Parece pouco, mas esse tipo de acolhimento muda a forma como você escreve, grava ou posta.

Outra prática poderosa é escrever sem editar. Sim, só escrever. Tire da frente a preocupação com estética, com o feed combinando ou com a legenda perfeita. Escreva como se estivesse conversando com uma amiga — e depois, só depois, releia e ajuste. Separar criação de edição é como desligar a crítica automática que quer interromper o processo antes mesmo dele nascer.

E se der branco? Use a inteligência artificial ao seu favor. Diga o tema do post, a intenção da mensagem e peça ajuda para gerar ideias de formatos, títulos ou perguntas que podem engajar. Isso não tira sua criatividade, só te dá fôlego nos dias em que a mente parece pesada demais.

Romper com a ilusão do “post perfeito”

A espera pelo conteúdo impecável é uma armadilha elegante. A gente acredita que está só “ajustando detalhes”, mas muitas vezes é só a autocrítica pedindo tempo para nos convencer de que é melhor não postar.

O exercício aqui é simples: publique mesmo assim. Escolha um post que você acha “mais ou menos” e poste. Depois, observe. Veja que muitas vezes o que você julga insuficiente, é exatamente o que toca alguém. Porque a conexão verdadeira não vem da perfeição, mas da identificação.

Aliás, muitos dos perfis com maior engajamento hoje não são os mais produzidos, mas os mais humanos. Pessoas que mostram bastidores, erros, processos. Que compartilham insights mesmo sem estar com o cabelo arrumado ou com o texto revisado mil vezes.

Uma criadora que acompanho — mãe de duas crianças pequenas e dona de um pequeno negócio local — decidiu começar a gravar vídeos com o celular apoiado numa pilha de livros. Sem roteiro, sem cenário. Falava com verdade, pausadamente, e olhando no olho. Os vídeos simples dela começaram a ter mais visualizações do que os posts montados com pressa. Por quê? Porque tinham presença.

Se a autocrítica tenta te convencer de que ainda não é hora de postar, de mostrar, de se posicionar… talvez seja exatamente esse o momento de ir. Não pra provar algo, mas pra lembrar a si mesma que você é capaz de fazer mesmo com dúvida. E que isso é mais do que suficiente.

Um convite à leveza na criação de conteúdo

Como lidar com a autocrítica ao criar conteúdo para as redes

Criar com leveza não significa ignorar a autocrítica. Significa aprender a colocá-la no banco do passageiro. Ela pode até vir, mas quem segura o volante agora é você. Quando a gente compreende que o “feito com verdade” vale mais do que o “esperado perfeito”, algo dentro da gente se acalma. A gente começa a aceitar que o erro, o improviso e até o silêncio fazem parte do processo criativo.

Quantas vezes você deixou de postar porque achou que “não era o momento certo”? Quantas ideias ficaram nos rascunhos por parecerem bobas demais? A autocrítica, quando alimentada todos os dias, vira uma espécie de filtro distorcido. Ela nos faz enxergar nossas criações com uma lente dura, exigente, como se estivéssemos sempre em teste. Mas não estamos. Estamos em expressão.

Essa expressão, aliás, tem raízes. E essas raízes estão na sua história. Na forma como você fala, no que escolhe mostrar, no que vive no dia a dia. O que pode parecer simples ou comum pra você, pode ser uma revelação pra quem está do outro lado da tela. O problema é que, quando a autocrítica fala alto, ela faz com que você se esqueça do quanto sua vivência tem valor.

Conheço uma mulher, dessas que não param. Cuida da casa, dos filhos, do marido e, nas horas que ninguém vê, cria conteúdo pro pequeno negócio que começou com medo e coragem na mesma medida. Um dia, ela me disse: “Eu só fui começar a crescer nas redes quando parei de tentar parecer mais do que sou”. O que ela fez? Mostrou sua rotina com humor, gravou vídeos com roupa de casa, falou das dificuldades de empreender com criança no colo. E o público chegou. Não porque ela fez o melhor post, mas porque fez com verdade.

Esse é o ponto: a criação não precisa ser pesada. Pode ser cotidiana, íntima, espontânea. A sua rotina é fonte de conteúdo. A forma como você resolve um problema, como organiza o tempo, como responde a um cliente, tudo isso pode virar post. E quando a autocrítica disser que “ninguém vai se interessar”, lembre-se: tem sempre alguém precisando ouvir o que você tem a dizer.

E se ainda assim bater o receio, experimente este desafio — pequeno, prático, mas transformador:

Desafio dos 3 dias: criar com liberdade

  • Dia 1: Poste algo que está há tempos no rascunho. Não revise demais. Apenas publique. Se der medo, poste e feche o aplicativo. Volte depois com calma.
  • Dia 2: Grave um vídeo curto com uma dica ou pensamento seu. Pode ser uma frase que te move, um aprendizado recente ou até um desabafo leve. O importante é deixar sua voz aparecer.
  • Dia 3: Compartilhe algo que você aprendeu com dificuldade. Pode ser um erro que virou lição, uma insegurança superada ou uma dica que funcionou de verdade. Isso gera conexão e mostra humanidade.

Esses três dias não são sobre números. São sobre presença. São um treino de coragem, daqueles que se faz em silêncio, mas que muda a forma como você se vê.

Criar conteúdo não é sobre agradar todo mundo. É sobre construir um espaço onde sua autenticidade tenha espaço. Onde você possa ser ouvida, mesmo que sua voz ainda esteja aprendendo a se firmar.

E se amanhã a autocrítica bater na porta de novo — e ela vai bater —, você já vai saber o que responder: “Hoje eu crio assim mesmo”.

Vania Prais

Sou redatora especialista em criação de conteúdo de valor. Transformo ideias soltas em posts estratégicos que geram engajamento, autoridade e vendas. Uso IA para acelerar processos, criar com leveza e destacar perfis nas redes sociais.

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